MISSÃO
A Rede Nacional de Farmacogenética - REFARGEN - tem por objetivos promover a interação científica entre pesquisadores brasileiros em farmagenética e farmacogenômica, estabelecer um arquivo de dados farmacogenéticos na população brasileira, criar um fórum para o debate público de tópicos relacionados à farmacogenética e participar ativamente de programas educacionais dirigidos para profissionais e estudantes das áreas da saúde. |
HISTÓRIA
A resposta individual aos medicamentos (e outros xenobióticos) é variável e boa parte desta variabilidade se deve a fatores genéticos ou hereditários. A farmacogenética e a farmacogenômica tratam da influência dos fatores genéticos na resposta aos medicamentos. Não há limites definidos entre farmacogenética e farmacogenômica, os dois termos são freqüentemente usados como sinônimos e vamos abreviá-los como FGx.
Atribui-se ao geômetra grego Pitágoras, em 510 a.C, a primeira referência à variabilidade da resposta farmacológica, no caso, os efeitos tóxicos de determinadas favas. Em 1908, Sir Archibald Garrod se referiu explicitamente a esta variabilidade inter-individual nos seguintes termos: " ... em alguns indivíduos, uma dose que é inócua para a maioria das pessoas causa efeitos tóxicos, enquanto outros mostram tolerância excepcional ao mesmo medicamento".
Mas, é na década de 1950 que a farmacogenética toma impulso, com a demonstração de associações entre alterações genéticas e a metabolização de medicamentos pelo organismo. A FGx evoluiu muito nas últimas cinco décadas mas seu maior objetivo continua sendo a individualização da terapêutica, ou seja, a prescrição do medicamento certo, na dose adequada para cada indivíduo, com base no conhecimento dos fatores genéticos que afetam a farmacocinética e a farmacodinâmica dos medicamentos.
As possibilidades de aplicação prática da FGx não se restringem à prescrição individualizada, mas incluem ainda a identificação de novos alvos terapêuticos, a otimização dos protocolos de ensaio clínico de medicamentos, o desenvolvimento de testes genéticos para a escolha de medicamentos, a reavaliação de medicamentos retirados do mercado devido a efeitos tóxicos em alguns indivíduos, etc.
A REFARGEN é uma iniciativa de pesquisadores brasileiros com o objetivo principal de promover o estudo da farmacogenética/farmacogenômica na nossa população, reconhecendo e valorizando as suas características peculiares, especialmente sua heterogeneidade e a extensa miscigenação de nossas raízes ancestrais, indígena, européia e africana. Estas características distinguem a população brasileira da dos países industrializados, nos quais são gerados e desenvolvidos, em sua vasta maioria, os medicamentos em uso clínico.
A REFARGEN foi criada em 2003 (clique aquipara ler o editorial de divulgação da REFARGEN) e reúne grupos de pesquisa de diferentes regiões do país e representando diversas áreas do conhecimento, especialmente, mas não exclusivamente, a farmacologia e a genética. A REFARGEN está aberta para receber novos membros e este portal tem grande prazer em receber visitantes interessados em conhecer a nossa rede. Seja bem-vindo!
REFARGEN, the Brazilian Pharmacogenetics Network, is an initiative of Brazilian researchers to promote the study of pharmacogenetics/genomics in the Brazilian population, recognizing and valorizing its specific characteristics, especially its heterogeneity and extensive admixture of ancestral Amerindian, European and African roots. These characteristics distinguish the Brazilian population from those of industrialized countries where most drugs in clinical use are developed. REFARGEN congregates researchers from different regions of Brazil and representing various areas of knowledge, predominantly, but nor exclusively, pharmacology and genetics, the pillars of pharmacogenetics (click here to access the REFARGEN Members list and location).
ALGUNS MARCOS NA EVOLUÇÃO DA FARMACOGENÉTICA
1956 Werner Kalow, da Universidade de Toronto, identifica as alterações genéticas responsáveis pela apnéia (interrupção da respiração) prolongada provocada em alguns pacientes tratados com o relaxante muscular succinilcolina.
1957 Arno Motulsky da Universidade de Chicago, formaliza o conceito de que a herança genética pode explicar diferenças na resposta aos medicamentos;
1959 Friedrich Vogel, de Heidelberg, cunha o termo "farmacogenética"
1961 Demonstração da assiciação entre polimorfismos da enzima N-acetiltransferase (NAT) e a toxicidade da isoniazida, usada no tratamento da tuberculose.
1962 Publicação do primeiro compendio de farmacogenética: Pharmacogenetics: Heredity and Response to Drugs , de W. Kalow.
1966 Descrição da síndrome de hipertermia maligna provocada pela succinilcolina e por anestésicos gerais como o halotano.
1975-79 Michael Eichelbaum, em Bonn, e Robert Smith, em Londres, descrevem, independentemente, polimorfismos na oxidação da esparteína e debrisoquina.
Décadas
Descrição dos polimorfismos genéticos da TPMT (tiopurina metiltransferase)
Clonagem do gene CYP2D6 e caracterização do defeito genético causador do polimorfismo da oxidação de esparteína e debrisoquina.
1990-2000 Clonagem, seqüenciamento e Identificação de polimorfismos em inúmeros genes ("farmacogenes") que codificam enzimas metabolizadoras, proteínas transportadoras e receptores de medicamentos.
O termo "farmacogenômica" aparece na literatura (1997)
Desenvolvimento do projeto Genoma Humano
2000 ..... Conclusão da seqüência do genoma humano.
Criação da primeira base de dados abrangente de farmacogenética/genômica (PharmGKB).
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